Conceição, eu me lembro muito bem da primeira vez em que fui ao cinema, depois de infernizar a cabeça do meu pai para me levar no finado Bristol, top top no centro da cidade que hoje é um bingo abandonado.
Quando as luzes se apagaram, eu sentia meu coração saindo pela boca e a sensação de desejo realizado era maior que eu mesma, na maturidade dos meus seis anos.
Freddy Krueger apareceu pela primeira vez. Meus olhos brilhavam. Não sei se era o suéter verde e vermelho, a luva de facas Ginsu, ou a cara queimada... alguma coisa ali, pra mim, era o máximo, mesmo que tudo isso me fizesse ir dormir na cama da minha avó toda noite.
Posso dizer que minha primeira vez foi com Freddy e nem por isso me tornei uma esquartejadora psicopata que odeia crianças (é, sei lá). Ele foi, de fato, meu ídolo. Não me pergunte o porquê.
Depois vieram as infinitas continuações de A Hora do Pesadelo. Eu via todos. Alugava na locadora escondida da minha mãe. Era do time do Freddy na batalha de fama travada com Jason Voorhees (ha-ha, ele era um frango perto de Freddy).
Mais recentemente - AKA 7 anos atrás - fui assistir à Batalha de Freddy x Jason, uma comédia que só se compara à Noiva de Chuck ou à qualquer obra prima do Toninho do Diabo. O fim de Freddy foi tosco e podre, divertidíssimo, mas deu fim ao amor platônico que eu tinha pelo morto-vivo que nem Pitanguy salvaria.
O fato é que hoje tive a realidade do tempo jogada bem na minha face. Estou velha, tanto que já estão fazendo o remake de "A Hora do Pesadelo". E quando começam a fazer remakes, ou gravar músicas da sua infância que você lembra "como se fosse ontem", e sinal de que, meu bem, é o começo do fim.

O ator Robert Englund, que aparecia nos sonhos das criancinhas de 1987 com uma música sinistra. O tempo passa até pra quem já morreu, definitivamente.
No entanto...

Freddy é feio mas tá na moda.